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12.05.1876

Ponte do Susquehanna em Perryville 2/3 m. de comprimento. Pegões de pedra. Terra e madeira. O pegão da margem do lado de cá indo de Filadélfia sobre o rochedo a 100 pés de profundidade. Os pegões no rio sobre estacas de pinha enterradas a 36 pés. 

12 ½. Bonitos campos cultivados. Conheço este caminho por onde já passei vindo de Washington para Fil. 

1 ¼ Chegada a Baltimore. 

13 — Visita a Anapolis pelo rio Potapsco Cheapeake-bay e rio Savern. Antes estive na Naval-School. Estabelecimento modelo. Belo gabinete de química e laboratório onde se fazem ensaios. Diretor dessa parte do ensino o Capitão de fragata Sampson, de 26 anos inteligentíssimo e muito parecido com o Plínio filho do Cândido Batista. 

Observatório muito bom para a escola. Equatorial de amplificação de 1000. 

Monumento a Hernndon (viajante do vale do Amazonas) à custa dos senhores que salvou no naufrágio do Central-América em que pereceu. 

Exercício dos cadetes todos fortes e destros. Desmancho instantâneo das peças para descanso depois deles. 

Bela escola de maquinistas com caldeiras de diferentes espécies para estudo, assim como caldeiras que trabalham de uma máquina de 600 cavalos efetivos que funcionam. Três navios um para estudo de aparelhos outro de artilharia e outro para a viagem que fazem durante 2 meses de verão em três anos do curso que é de 4, indo depois servir em longas viagens. Excelentes alojamentos, capela e livraria com os melhores livros para o ensino.

Do outro lado do rio — não pude ir lá — experimentam a artilharia e tem os melhores instrumentos — o cronógrafo é o de Boulanger. Vi diversas qualidades de pólvora. A que dá maior velocidade e menor pressão tem grandes grãos que se encaixam como pedras de damas com um lado relevo e outro côncavo.

Capitólio e Anápolis. Sala do Senado onde resignou Washington seu cargo tal qual era então. 

Launch em casa do governador Carroll onde havia excelente sociedade. 

Na volta vento muito rijo pela proa. 

À entrada do Potapsco há um forte de casamatas que o governo tem desfeito por não servir segundo a opinião dos entendidos. 

Logo ao deixar a cidade de Baltimore passa-se pelo forte Henry que os ingleses bombardearam em 1814 e que deu lugar ao hino nacional. The Star spangled banner. Galeria de quadros de Walter de Gerome (o duelo depois do baile) de Breton (findar do dia) Jalavert, Gleyne, Lamvelle, Corot, Vibert, Paul Délaroche (é uma reprodução do hemiciclo das Belas Artes de Paris em ponto pequeno) — o Cristo de Ary Scheffer. uma bela estátua de Rymehart.

Academy of Music. Lindo teatro de 1600 a 1700 pessoas de uma acústica admirável. Ouvi de uma ordem elevada e longe os menores sons de um piano no tablado. O arquiteto Mr. Nelson fez que a corrente de ar circulasse o teatro com os sons. Mr. Nelson pareceu-me muito inteligente, estudou em Baltimore.

Theatre Ford — Miss Anderson excelente artista dramática na peça Lady of Lyons.

(Ontem) 12 chegada aqui depois de 1h Fui a Peabody Institute – Belíssima estátua de Clythia de Rymehart (morreu moço de beber, assim me disse hoje o Governador Carroll). 

Biblioteca de 60.000 volumes. Tem obras excelentes. Há conferências no inverno. Grande edifício constróem outro ao pé para colocarem aí a livraria. Academy of Sciences — Curioso Museu de História natural de Maryland. 

Catedral católica de S. Luiz (tem arcebispo). Nada de notável. 2 quadros de P. Guerin e de Stubbens. (Descimento da Cruz e S. Luiz carregando um morto). 

Passeio pela cidade que tem casas bonitas (caiu chuva e bastante saraiva). 

Normal-School. Grande edifício. Organização da de Nova York. Subi à torre que domina toda a cidade. 

City-Hall. Um dos edifícios mais belos que tenho visto. O Maire que conhecia casa do Childs mostrou-me tudo que está perfeitamente arranjado. Custo edifício inaugurado este ano perto de 3 milhões de dólares. 

Vi a sepultura do talentoso poeta Egdar Poe, cujas poesias conhecia. Glória de Baltimore. 

À noite First Theatre. Miss Anderson na Evadne de Steel. Um teatro bonito. Sempre me recebem com palmas e tocam o hino brasileiro. No meio do teatro apareceu-me o meu conhecido Wright do Rio de Janeiro e levou-me o Concert-Glee. Ouvi tocar muito bem Mrs. Machado mulher do agente consular da Venezuela, filha de Baltimore e excelentes coros. A sala é grande. A sociedade de Baltimore tem me agradado muito. Os Battle Monument (do bombardeamento de 1814) e de Washington são feios e até neste o para-raio está espetado nas costas da estátua.

É preciso descansar amanhã falarei de Wildmington no dia 11 tendo à noite jantar de Thornton que muito me maçou apesar do salão da sociedade de beneficência de S. Jorge ser belo; a música sofrível e ficar à esquerda de Thornton a cuja direita estava o Grant. À minha esquerda tive o governador da Pensilvania que meu deu bastantes informações, porém às vezes quase se deita sobre mim para conversar com o Thornton e despejou no chão um pouco champanha do copo; o Senador Cameron a quem dei muitas informações do Brasil, que ele me pediu; o jornalista Meg-Mike divertido, mas que me parecia alegre demais. Havia outros que muito desejaria chamar para perto de mim e viriam mesmo por si, se o governador da Pensilvania não tomasse tanto tempo e lugar. À saída dei o braço ao general Sherman com quem muito simpatizo e o que me valeu muitos cheers. Era tarde e ficou assim quase tudo só em banquete. Fiz meu pequeno speach, que julgo não desagradou. Exprimi-me em francês valendo-me de boas razões para assim proceder.

12 05 1876 2a pagina apontamentos do dia original