18.05.1876

Saí às 7. Passeio de carro pela cidade. Apeei-me à entrada do parque Lafayette onde dei bom passeio. É bonito. Vi aí cisnes com outras cores dos conhecidos por mim.
Tornei a sair às 10 ½. Fui à casa de Miss Blow a 7 m. de St. Louis. Fui aí recebido do mesmo modo que esta família sempre me tratou. Recebeu-nos Mrs. Smirnoff, o irmão estava num dos 13 Kinder-garten cuja instituição do Condado se deve a ela. Há outros em Filadélfia (Mrs. Peabody) em N. York. Apareceu daí e fomos todos ao Kindergarten.
Que lindo espetáculo não é ver 20 a 30 meninos de 4 a 6 anos somente com quase nenhuma diversão que Eles sintam, fazer contas, objetos de argila e achar demonstrações geométricas como uma menina de 6 anos que Miss Blow interrogou de joelhos — é entusiasta da instituição que acho excelente — Miss Blow deu-me o folheto que escreveu e uma obra em alemão a tal respeito — somar, diminuir, multiplicar e repartir partindo de um pauzinho de forma de triângulo retângulo, assim como chegou a provar a igualdade do quadrado da hipotenusa e da soma dos quadrados dos catetos. Depois fizeram exercícios ginásticos e brincaram. Tem jardim que plantam ficando assim conhecendo muitos vegetais e uma pequena coleção de minerais que assim como quadros pretos com desenhos a gis muito bem feitos pela irmã ainda pequena de Miss Blow. Esta nunca se quis casar e eu disse-lhe que não era preciso para ser a mãe carinhosa de grande família.
Fomos ver o Vulcano-Iron-Works para trilhos de aço e chapas de zinco. É a maior fábrica que tenho visto deste gênero até agora neste país. Três imensos fornos, de um dos quais vi correr o ferro para barras. A oficina para fazer aço Bessemer montado como as melhores da Europa não está acabada. Belas oficinas para obras de ferro, e trilhos de aço. Não me levaram à oficina de chapas de zinco. Só ontem a bordo é que soube que lá se faziam.
Voltamos à linda casa de Miss Blow, onde mora com os irmãos — o irmão estava em Louisville por causa das corridas é muito amigo de cavalos e cães — e lá launchamos [sic] e tomamos café. A casa tem cópias bem feita das melhoras obras de belas artes e o risco das lindas salinhas e quartos com seus ornatos foi do pai, que instituiu uma Academia de Belas Artes em St. Louis e queria que se tirassem cópias das melhores obras artísticas. Mr. Smirnoff que me falou muito do Brasil sobre o qual escreveu um livro em russo, que nos é muito favorável apareceu no Kindergarten. Enfim foi uma das melhores manhãs que temos tido.
Às 5 partimos para bordo do Grant-Republic pelo barco de vapor. No imenso salão onde escrevo e para onde deitam os camarotes, que são bons, porém falta-lhe quarto de banho e outros confortable. À noite os fogos da Vulcano-Iron-Works faziam belo efeito do rio sobretudo o azulado da chama das fornalhas de zinco.
Dormi muito bem. O vapor parece não marchar, e também disse-me há pouco que ele deita senão 8 milhas, sendo a corrente de 3. Contudo passa por andar 18 milhas rio abaixo e 15 acima. Veremos de ora em diante. Já estou a escrever desde às 6. Vou olhar para as margens do rio que descubro apenas daqui pelas saídas do salão para a galeria da proa.
Apesar de embarcarmos ontem às 5h 10’, não seguimos senão às 9h Também esteve parado a receber grande carga de um elevador, perto da grande ponte da qual falei.
1 ½. Já passamos pelas pequenas povoações de St. Jannuary, St. Mary onde vi a maneira fácil porque fazem o embarque dos gêneros por uma das pranchas que o vapor leva arvoradas de cada lado da proa, e faz descer sobre a margem do rio. Chester onde parou mais tempo, sendo este salão invadido por toda a casta de curiosos vindos de terra, e Grand-Tower com mina de carvão de um lado do rio e de ferro do outro. Há uma fundição considerável. As barrancas são formadas de estreitas camadas e as águas separaram uma parte na margem direita formando uma torre coberta de mato. É o lugar mais bonito por onde tenho passado até agora.
4h Estamos recebendo carga da povoação Cape-Girardeau a 150 milhas de St. Louis. É a maior povoação mas não muito grande que tenho visto hoje. As margens do rio são cobertas de mato e há pontos de vista. O fundo é às vezes muito pequeno e o canal dá grandes voltas. Talvez por isso se tem andado tão pouco. Em 19 horas 150 milhas! Pouco mais de 7 por hora. O Amazonas leva em tudo as lampas como rio ao Mississipi. Vejo uma igreja, hotel e uma casa, que parece-me da escola. A demora não foi pequena.
5 ¾. Estavam a lançar uma das pontes levadiças sobre a praia da pequena povoação Commerce. É muito lindo este lugar, por causa de uma ponta de terra que entra pelo rio, que se alarga, ou ilha muito estreita toda cheia de árvores.
As margens do Mississipi tem apresentado colonas bonitas. O calor dentro deste salão é horrível. Vou já por-me ao fresco.

18 05 1876 1a pagina de apontamentos do dia