27.05.1876

Fui ver um bonde movido por locomotiva sem fogo, só com vapor que recebe no lugar da chegada. Estes bondes não andam por dentro da cidade. Meti-me num e fui e voltei de Carrolton — ida e volta 6 milhas em menos e 40’ com pequena demora no lugar da chegada onde recebeu vapor, como as outras água. Depois escreverei os dados que colhi.

Escola de pessoas de cor. Edifício próprio e bem montada. Tem 400 e tantos. Os mestres senhoras e algumas de cor.

Escola de brancos e de cor 400 e tantos de que só 40 e tantos de cor. Como a outra. Ouvi uma menina de 6 anos ler e recitar de cor admirávelmente bem. Era branca. Há grande repugnância nessa mistura de cores. Existem 17 escolas de negros públicas e 2 high-schools na cidade.

Visitei o suntuoso edifício de pedra o mesmo da alfândega, Correio que ocupa vasto espaço e tem o serviço muito bem regulado e tribunais. A alfândega tem uma belíssima sala de colunas, tudo de mármore, com duas estátuas de Bienville fundador de N. Orleáns e General Jackson seu defensor em 1815. Finalmente Thompson’s rice mill. Ele confessa que os pilões descascam melhor o arroz e descasca 400 sacos de arroz num dia de 24 horas, que enchem 200 barricas.

Às 5 fui aos Fair-Grounds onde está o Jockey Club. O jardim é bonito. Do alto da casa boa vista descobrindo-se o Bavout-St. John que liga o rio ao lago Pont-chartrain e o City-Park que não acabaram. O Jockey Club tudo o que é preciso para corridas, que se fazem nas Fair-Grounds.

Na volta fui ao Temple-of-Sinai. Bela sinagoga. Estava tudo cheio. O coro cantou bem com acompanhamento de órgão.

Dormi bem. Hoje às 5 ½ fui embarcar-me em Bienville. Esqueci-me de dizer que também à noite tive visita do Bispo mexicano chamado Ignácio de Monte d’Oca Y Obregon, e falei com o naturalista Fontaine, que se ocupa muito de geologia dos Estados Unidos e me oferecera uma obra. Fui ver as fazendas Carroll de Bradosh Johnson, onde encontrei o superintendente Perret, falando como um francês e muito inteligente; Valcouraine de John Bumside. Escocês que comprou e onde achei o homem de negócios dele Chiapella, que fala também muito bem francês e é muito inteligente, e Dugan de Thomaz S. Dugan, que me deu as explicações e parece-me o menos inteligente. Ele e Johnson acompanharam desde N. Orleáns e o último voltou comigo até lá. Ambos responderam-me na ida a perguntas de que depois falarei.

As plantações agradaram-me, os engenhos há melhores no Brasil. Plantam a cana entre 2 regas de arado, que é puxado por cavalos. Dá em 8 a 9 meses; plantam as ressocas e ainda um ano os filhos destas e o ano seguinte esse terreno é plantado de favas corn-peas e milho que renova as qualidades do terreno que no seguinte ano leva cana. Também plantam o milho logo com a cana. As gavinhas das favas faz muito bom feno. Os pretos trabalham bem por contrato de ano, que quase sempre renovam, ganhando de 13 a 18 dol. por mês — no 1º caso com comida e no 2º sem ela — em ambos com casa, que não me pareceu má. Ao meio dia recolhiam-se os arados; a aiveca passado por um arco de ferro fincado numa tábua sobre que o condutor era arrastado.

As negras trabalham bem; os jovens de 16 por diante; os de menor idade nada recebem. Numa plantação há 50 chins, mas não trabalham com os negros e são borrachos. Referiram-se que a semente do algodão, além do azeite, dá depois deste extraído um tijolo que alimenta bem o gado e amarelece o leite da vaca. Os resíduos são excelentes. Nestas plantações empregam o estrume artificial de J. Villi. 200 e tantas libras por acre americano — 210 pés2.

Na plantação de Valcouraine 16 barris cada um creio que tem 200 e tantos de carvão de pedra 11º além do bagaço — dão um boucault [sic] de açúcar refinado, que vale cerca de 50 arrobas nossas. A fazenda Dugan está bem situada à margem do Mississipi. No fundo há belas arvores — um live-oak e ainda mais belas Pekan (creio que assim se escreve) trees.

Perto de Valcouraine fica Armant fazenda ainda maior e do mesmo dono. Aquela tem um solo que logo seca. Esta cidade tem suas ruas muito mal calçadas — ou de lages — ou de seixos grandes e pequenos. Há alguns belos edifícios com os já nomeados e um muito grande todo no exterior do gosto de Alhambra que chamam a Casa-Mourisca.

6 ½ da tarde — Acabo de visitar o New Orleáns Machinery Depot para os Baxter’s portable stean Engine. O menor é de um cavalo. Desenvolve-se o vapor por meio de gás aceso em poucos minutos. Pesa 230 ££ e custa em N. York onde se faz (casa Maxim and Welch) 250 dollars. Trouxe a descrição de um engenho de prensa de algodão, de invenção do homem da loja.

Logo vou com minha mulher até a Grande Ópera — representação francesa — para benefício — e às 8 parto rio abaixo para amnhã de madrugada para ver as obras das jetties do engenheiro Eads.

27 05 1876 1a pagina de apontamentos do dia