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29.05.1876

Partida às 6 ¾. Campinas mais ou menos encharcadas. 7h 11’. Atravessamos há pouco Chef-Menteur. Vem de uma lagoa e vai ao Golfo do México. De um lado li numa casa Chef-Menteur e do outro noutra Banditti-Cava. Que bela correspondência. Passo a lagoa que é grande.

Cheguei dos jetties perto da 1 ½ da madrugada e ao hotel às 2. Encontrei cartas do Rio e da Europa. Falarei depois dos Jetties.

8h ¼ Rigoleto.

Vê-se à direita o Golfo do México. Atravessamos uma larga ponte sobre os Rigolets.

8h 40’ Temos passado junto de mato e agora atravessamos um algum tanto cerrado.

8h ¾. Atravessamos floresta de pinheiros que se vê que são cortados. Pequena estação Waveland.

9h Bay-St.-Louis.

9h 6’. Atravessamos a baía sobre um longo viaduto de madeira.

9h ½. Há poucos minutos deixamos Pass-Christian.

9h 40’. Atravessamos bonitas chácaras (casas com pequenas plantações) antes de chegar agora a Mississipi-City.

10h Biloxi. Tem suas casas bonitas de madeira.

10h 5’. Atravessamos outra baía sobre longo viaduto de madeira (Estes viadutos são de paus fincados no fundo da água cujo nível pouco excedem os rails).

10h 12’. Ocean Springs. Lugar bonito de pinheiros e lindas casinhas de madeira.

10h 40’. West-Pascalouga. Vi uma oficina para creosotar madeira vinda por água e trilhos. É um imenso cilindro onde a madeira seca primeiro 24 horas pelo vapor e depois impregna-se de creosote vindo de N. York a 6 galões (o mesmo que o inglês) por pé cúbico sob a pressão do vapor de 125 ££ por pé quadrado durante 48 horas. Passamos outra baía como as anteriores.

11h East-Pascalough Tem suas casas e algumas bonitas.

11h 25’. Atravessamos grande campo com pinheiros espalhados.

11h 35’. Deixamos Grand-Bay com suas casas. Pinheiros e madeira cortada para lenha.

11 ¾. St. Elmo a 20’ de Mobile.

12 ¼. Passamos por um lugar de corridas à direita.

12h 40’. Desci um pouco e fui até um cais onde vi lousa muito fina vinda de outro lugar dos Estados Unidos. Subi para o vagão já em movimento. Partimos há minutos. Mobile — 141 m. de N. Orleáns — tem bastantes casas e uma rua comprida que eu vi. Atravessamos um braço da baía como os outros e parte em ponte de ferro e madeira.

O Dr. Fontes disse-me que em N. Orleáns é bom o hospital para 200 doentes. A escola na Universidade agradou-lhe menos, contudo achou peças bem preparadas no museu anatômico. Um médico de N. Orleáns que se ocupa de helmintologia e tem coligido cento e tantas variedades ou espécies de helmintos disse-me que os meninos padeciam muito de bichas porque o Mississipi abunda deles, não havendo peixe que não os tenha e o gado comendo peixe nos campos quando as águas baixam e portanto cirando cisticercos, de onde provém os tênias.

Passamos 2 vezes o rio Alabama e agora 1h 5’ em ponte grande de ferro sobre o Tensaw confluente do Alabama.

2h 10’. Parou para beber água. Temos atravessado pinheirais.

2h 27’. Chuva copiosa de trovoada já há algum tempo. Pinheiros quase sempre.

3h 7’. Paramos em um lugar de poucas casas, mas onde há hotel para os passageiros e seguimos.

3h 20’. Passamos por uma pequena aglomeração de casas com uma casa tendo este nome — Escambia House.

4 ¾. Passamos por outras casas com Bar-room. Continuam os pinheiros. Agora estamos parados mas não sei onde. Não tenho achado nenhum guia de St. Louis para cá, a não ser um muito resumido de N. Orleáns. Ainda não apareceram os últimos volumes dos de Appleton e de Osgood.

5h ½. Passamos por outras casas e agora paramos junto a maior número de casas. Ainda pinheiros. Parece que o negócio desta região é a madeira. Há aqui grandes pilhas de tábuas de pinho.

5 ¾. Bonitas plantações junto a casas de ambos os lados.

6h 11’. Passamos por uma povoação maior.

6h 7’. Lugar cultivado que parece povoação considerável. Margeou-se o rio Alabama. Esta tarde antes do pôr do sol, houve descampados bonitos e aquele foi belo. Esta povoação é importante.

7h ¾. Largamos da estação à esquerda. A cidade fica a alguma distância à direita. Já tenho um jornal.

8h Agora vou ceiar. Há mais de ½ hora que nada se vê.

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