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04.06.1876

 O sol parece querer dar-nos belos dias para a cascata.

Vou dizer que o tempo não me permitiu referir em Washington.

O Soldier’s Home admite 300 segundo me disse Sherman que me informou haver mais 3, sendo o de Ohio o maior.

Plantei junto à escada do Instituto dos Surdos-Mudos uma hera, de que trago uma folha.

No Coast Survey dirigido por Patterson amigo de Agassiz e homem muito inteligente informou-me este de que mesmo a carta dos estudos marítimos não está acabada. Tem medido diversas bases das quais a maior é de 10 milhas, com o instrumento aperfeiçoado por Bache, o qual verei na exposição mediram um a

rco de meridiano entre os Montes Shasta e Diablo de mais de 200 milhas assim como mediram um arco não menor de paralelo. No alto do Monte Shasta de mais de 14.000 pés de alto colocaram um marco que reflete o sol e torna-se visível assim por telescópio a mais de 200 milhas. Possui oficina de gravura e de eletrotipia, tendo o diretor desta última oficina A. Zumbrock obtido depositar o aço sobre a chapa de cobre eletrotípica. Deu-me uma linda gravura obtida por essa forma. Há um graduador até 5” com o nonnio 1/10”. Reparam instrumentos, mas compram-nos na Europa.

Patterson ficou de mandar-me a melhor carta dos Estados Unidos até agora publicada e uma planta excelente do porto de N. York.

No Museu Anatômico vi trabalhos muito curiosos e fotografias de composição do sangue de diversos animais e do homem e o Fontes disse-me que tinham trabalhos histológicos fotografados de muito interesse.

Mount Vernon é um lugar pitoresco. Sobe-se do desembarque até à sepultura de Washington e Marta. Não gostei do monumento vermelho e de péssimo gosto. Pela grade atirei flores sobre as duas sepulturas e plantei perto uma maple tree por pedido de Mrs. Berghmann Presidente da Sociedade de Sras. que cuida de Mount Vernon (ver as notas do testamento de Washington, cujo impresso me deram lá) — é digno de ser traduzido em todas as línguas e ainda mais me faz venerar a memória do grande cidadão. Pedi ao historiador Bancroft que me acompanhou na digressão que pegasse no galho enquanto eu o plantava. Depois vi na antiga sepultura de Washington um lugar muito bonito olhando para o Potomac. Colhi umas folhas de uma das árvores que o sombreavam como assim trago outra do galho que plantei e um pau de um Hickory de Mt. Vernon que me deu Mrs. Berghmann. Mudaram os ossos de Washington da família para outro lugar por causa da recomendação do testamento, porém só o fizeram em 1837, 38 anos depois da morte dele. Depois vi à casa dele (ver o livro de descrições que trouxe por pedido meu) e houve comida.

Na volta choveu um pouco. O rio é bonito. Muito gostei de conhecer durante este passeio e no soirée da noite a Condessa de Hoyos, da família Eberstein, mulher do Ministro da Áustria cuja fisionomia de turco não me agradou. Conversei também com o Ministro da Venezuela Della Costa. Muito interessante e estimável pessoa. Conheci também então o almirante Porter, o que mais se distinguiu na Marinha de guerra civil depois de Farragut. A Condessa de Hoyos tem expressão de rosto e sobretudo de olhos muito parecido com o da Isabel, mas o talhe do corpo não.

8h 9’ da noite, que ainda é dia.

Depois da missa da Igreja de St. Mary, que não é pequena mas feia — um só padre cantou-a e explicou epístola e evangelho; o coro desafinou que foi um gosto.

Fomos ver a cascata. É belíssima — porém a de Paulo Afonso mais sublime, caindo de muito maior altura. Via-a, contemplei-a primeiro do lugar chamado Prospect — lado americano — o parapeito está sobre a queda desse lado e olhara para a majestosa queda de Horse-shoe lado do Canadá. Todos os da comitiva fotografaram-se junto ao Prospect. Depois fui pela suspention-bridge mais abaixo da outra ao lado do Canadá. O passeio é bonito — com bonitos jardins assim como plantações de árvores. Aí há a Clifton-House. Comprei numa casa adiante fotografias, binóculozinhos, onde se olha a vista da cascata. Aí vesti a roupa própria para ir a Table-rock. Parte da cascata de Horse-shoe me caiu por cima. Incomodou-me um pouco a ventania produzida pela queda e o chuveiro na cara. Saindo fui ver bisões vivos;  uma pirâmide coberta de ossos de chefes dos índios Chippawa desenterrados de um cemitério deles e noutra casa ursos.

No hotel também os prairie-dogs meus conhecidos da viagem a S. Francisco. Na segunda casa subi até um mirante de onde há excelente vista sobre a cascata. Daí fui até a ilha onde há o chamado observatório. Subi a essa grande altura que domina melhor a cascata. Voltei ao hotel para jantar. Pouco depois das 6 fui ao Goat-Island. Para lá chegar atravessa-se uma ponte sobre os rápidos perto da qual existe a fábrica que faz o papel para Tribune de N. York. A ilha fica sobre a grande queda do lado americano. Apanhei folhas assim como um ramo de cedro, como o do caramanchão perto do meu torreão de S. Cristóvão tinha escolhido na ilha do observatório. Goat-Island é muito pitoresca. Daí fui as Three-Sisters três ilhotas reunidas por pontes. A última fica sobre os grandes rápidos e aí parece sobretudo ao longe um mar de temporal. Em caminho vi a parte do parque que levou à pedra sobre que estava uma torre que caiu e chama-se Terraput Tower. Na volta entrei num anexo de nosso hotel que serve de parlor e que tem vista sobre os rápidos de ambos os lados. Do salão observei o brilhantíssimo pôr do sol. Os espelhos do salão faziam que o rio parecesse nesse ponto correr em sentidos [sic].

São 8 ½ e ainda há bastante crepúsculo. Às [ que horas????] será a ceia e às 10 vou admirar o luar de Goat Island que dizem ser o melhor lugar.

11 ½. A lua nunca esteve muito tempo limpa. As águas apresentam outro aspecto diurno. Nas Three Sisters é que a vista mais me agradou. As pequenas nuvens que levantam os rapids parecem fantasmas deslizando-se sobre a água. Não observei nenhum arco-iris. De dia vi alguns que pareciam quase deitados sobre a água. Muitas vezes interrompido, ou parecendo cores, que corriam sobre as águas. Agora de noite é que desci e fui até onde houve a torre. No passeio de dia eu vi uma parte da margem comida pela corrente com a forma de uma abóbeda. A pedra junto da qual passei para ir a Table-rock está se desfazendo como madeira podre. Há um bote que atravessa muito bem o rio e aproxima-se de Horse-shoe, vindo da margem inglesa até o elevador que há nessa.

A vista do Prospect-Point com lua bem clara deve ser admirável; contudo agora apresentava aspecto encantador. Estou com muito sono. Adeus.

 

04 06 1876 pagina dos apontamentos do dia