09.06.1876

Antes do almoço Bunker-hill. Pequeno outeiro muito perto do hotel, no meio da cidade. Vi a estátua do General Warren morto na batalha e o antigo pequeno monumento antes de subir o grande obelisco, cujo terreno foi doado por uma loja maçônica. Na guarda há vistas e outras coisas de que comprei algumas como aquelas e um retrato de Lincoln feito pelas letras de mão da cópia da declaração de emancipação dos escravos. O obelisco é todo de pedra e a escada interior tem 299 degraus. A vista de cima é tanto bela. Depois de Bunker-hill vi o monumento aos mortos defendendo a União na guerra de secessão de 1861. Foi o artista Mellmore. O marinheiro é a estátua que me agrada à primeira vista. South-Old-Church onde se batizou Franklin e pregou Whitely. Tudo em desarranjo no interior. Serviu de Correio antes de ficar pronto, ha 2 anos, o novo que é monumental e de muito belo aspecto externo.

Antes estive em Faneuil-Hall. Construíram uma bela casa sobre o lugar da histórica. Belo salão com galerias e retratos e um quadro de mérito, representando o que consta do papel que me deram. Vi na casa outras memórias do tempo da Independência. Perto há um mercado digno de ver-se, mas ficou para outra vez.

Estava almoçando quando chegou Agassiz filho com quem muito simpatizei. Ficou combinada a ida a Cambridge — amanhã. Passo lá todo o dia. Almoço com os Agassiz e janto com Longfellow.

Tornei a sair às 10. Public Garden. Muito bonito. A fonte é bela. New State House, foi visto antes. Belo aspecto. Na entrada há estátuas entre as quais uma muito bela pedestre de Washington. Infelizmente puseram por detrás da vidraça cujo reflexo contraria a vista. Mostraram-me toda a casa. Notei na Câmara o peixe (ad-fish) pendurado, que é o brasão da cidade. No Senado há retratos dos governadores antes da Independência. Gostei de ver os dos célebres Winthrop e Ellicot. Mostraram porque eu pedi um interrogatório feito a uma feiticeira negra em Salem, onde ouvi que foram enforcadas umas 11. Deram-me publicações do Senado. Mostraram-me um cofre forte que abre somente à hora que se quer por meio de um relógio. Estava aí uma rica medalha dada pelo governo de Haiti a Ch Sunner. Depois estive no Common (jardim). Há aí uma bela estátua de Everett — só acho o braço direito esticado demais — por Story — a fonte monumento comemorando o emprego do éter [sic]como anestésico pela 1ª vez no hospital geral de Boston. O grupo superior é belo e também me agradou um baixo-relevo. Alex Agassiz disse-me ser obra de escultor italiano. Também há a bela estátua eqüestre de Washington. O cavalo está magnífico e também me agrada muitíssimo a posição do cavaleiro menos o acanhado do braço esquerdo e a posição da lâmina da espada na mão direita descansando sobre a esquerda.

Estive depois na Public-library. Sala elegante com diversas galerias sobrepostas. Quase todas as estantes abertas de ambos os lados, mas de madeira. Quem a fundou foi um Bates, cujo busto foi oferecido pela filha Mme. Van de Weyer. Ha outro de Ticknor muito belo feito por Millmore. A biblioteca possui nesta casa 200.000 volumes e em outras partes mais 100.000. Muitos livros caros; letra de Shakeaspeare; de Luthero, copiando uma nota de Gerson que diz In floreno littis nullus est obulus charitatis. O floreno deu-me que fazer, mas por fim na mesma livraria achei um dicionário que trás florenus como moeda florim. Já também outras preciosidades literárias como a 1ª edição de D. Quijote, etc. Vi lá o 1º volume da nova história popular com estampas dos Estados Unidos pelo Bryant. Comprei-a já. Aí me encontrou Agassiz e fomos ao colégio de Tecnologia.

É um começo de um Conservatório de Artes etc. Tem bons professores e vi bons instrumentos, mas não completos de física e melhor laboratório de química e mesa para análise com água, gás e aparelho para obter vácuo. Há o que é preciso para a prática da metalurgia; modelos de arquitetura e escultura e apenas uma máquina de vapor. A casa do custo de 200.000 dólares foi feita por subscrição. Gostei em geral do que vi. Trouxe publicações a tal respeito.

Pouco depois das 3 veio visitar-me Mme. Agassiz que achei bem disposta e nutrida. Escrevi antes um pouco.

Às 5 ½ dei um longo passeio pela cidade, que tem belas avenidas com caminho central arborizado para os pedestres; belos edifícios como a Catedral católica; hotéis, City-Hall, Casa Maçônica etc. e hotéis pelo lado do mar, onde docas estão cheias de navios e voltei por Buncker- Hill ao pé do qual está a grande State-Prison.

Antes vi sobre umas colinas ao longe a casa dos loucos, que parece-me grande. A princípio segui na direção da nova casa para galerias artísticas. De noite fui ao Globe-Theatre. Bonito interior, talvez mais do que qualquer dos outros que vi. Representaram pantomima, e dançou maravilhosamente sobre o arame bambo Miss Beshell. Nunca vi cousa assim. O irmão do Hermann, o menino que o acompanhava ao Rio fez peloticas tão perfeitas como as do irmão, que dizem ser agora banqueiro em Viena.

Chegando a casa recebi cartas da Europa.

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