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13.06.1876

No instituto dos cegos ensinam aos cegos e cegas para criados a lavar, etc. e coser. Cada cego maior vive em seu quarto e os outros a 2. Na Medical School há muito bom gabinete de fisiologia experimental de que é professor o neto do célebre matemático Bowditch do mesmo nome que estuda em Leipsig com Ludwig. Lá conheci os professores de patologia Jackson que muito tem trabalhado; o de anatomia o Dr. Holmes já meu conhecido e o célebre operador, lente de operações Bigelow. Este asseverou-me como exato o fato de um canteiro cuja alavanca arremessada por explosão de broca lhe entrara por detrás do olho direito e saiu pelo alto do crânio, que lá está com os buracos assim como a pesada alavanca. O homem só foi visto pelo Dr. 2 meses depois do sucesso. Ficou somente com afasia e foi para casa da pedreira quase por seu pé. O olho perdeu-o por inflamação. Barnum especulou com esse homem e custa-me a acreditar em tudo o que contam. A escola sofrível Museu e o Laboratório químico. Para  a física serve o de Harvard College de que é professor o Dr. Labouring (assim soa). O hospital é muito grande. A parte nova de pequenos corpos separados feitos de madeira é excelentemente ventilado e aquecido no inverno agradou-me muito.  cadeira de operações também cama, inventada e aperfeiçoada pelo Dr. Bigelow e cujos movimentos ele mostrou assentando nela um guarda pareceu-me engenhosa. A sala das autópsias tem uma mesa de invenção de Bigelow que recebe uma contínua corrente de ar de baixo para cima e cuja forma dá evasão a todos os líquidos. Também gira. O Fontes achou-a excelente. Também o lugar onde se põem as vísceras estabelece corrente semelhante de ar pelo aquecimento produzido por luzes de gás.

Finalmente fui ao museu do Dr. Warren substituto de Bigelow onde está um mastodonte quase sem ser restaurado. As presas são artificiais porque as naturais tem-se desfeito. A casa do museu é só de pedra e ferro.

De tarde estive na imprensa de Rand & Avery. Pode imprimir 60.00 folhas por hora. Tem oficinas de heliotipia, eletrotipia e de passar traços com tinta de escrever para gelatina em que pegam e recebem depois com o rolo a tinta de imprimir. Deram-me um retrato de Washington assim feito, que é muito bonito.

Depois visitei a fábrica de pianos de Chickering. Faz 2.000 pianos por ano mandando de 40 a  50 para o Brasil. Vi todo o processo. Empregam o sapin (?) para a tábua harmônica. Vem de fora, sobretudo da Alemanha. Empregam para as caixas dos pianos nas obras de marcenaria a madeira do Brasil serrada em folhas finíssimas.

As vistas do Yellow Stone sobretudo as dos abismos dos gêiseres agradaram-me. O congresso votou uma lei criando aí em grande superfície de terreno um parque nacional.

 Antes do almoço exercício de incêndio. Espantosa rapidez, como em Nova York. Em cada estação são 40 em Boston e arrabaldes há um reservatório de vapor com 5 libras de pressão que enche quando se quer a caldeira da bomba de vapor. Também vi trabalhar a que lança ácido carbônico misturado com água, sendo aquele produzido pela mistura de ácido sulfúrico e carbonato de sódio. A escada que se eleva e serve para alturas de muitos andares é boa. Não aprovam a manga para descer por ela homem e objetos. Os bombeiros estão sempre vestidos e para não haver demora só os querem trajando a roupa ordinária. Fui ver o fire-boat para incêndios no mar — pode jorrar água, até 250 pés — um só jorro — e até 8 jorros de uma vez. Dei um passeio pelo porto. Gostei muito desse serviço todo e levo os regulamentos. Muito me agradou o diretor Mr. Sawyer.

Depois do almoço. Parto para Wellesley às 10. Bonito caminho todo bordado de casas mais ou menos bonitas e com jardins. Gastei uma hora em caminho de ferro.

O colégio de Wellesley, que só em 8bro [outubro] foi ano passado ficou como está, acha-se em uma colina suspensa ao lindo lago de Waban. É um palácio e tudo o mais arranjado possível. Ali tem indicador do grau de umidade no ar do edifício bem ventilado e aquecido no inverno. Tem lindos quartos para as raparigas — salãozinho e quarto com 2 leitos. Os aposentos dos mestres maiores. Excelentes lavandaria e cozinha, e até há umas poucas companhias de bombeiros cada uma com sua capitoa [sic] e tendo uma bomba muito bem colocada. Excelente laboratório de química. A professora foi à Europa buscar instrumentos. Aula de botânica. A de física não está pronta. Ouvi uma lição de grego da Anabasis. Uma das moças traduziu bem. A professora estudou no Vassar College. Achei-as no exame de matemática que vão até seções cônicas, na capela do colégio por ser a sala grande com uma bela janela de vidro pintado com figuras. É  um colégio modelo onde só entram raparigas de 15 anos com estudos preliminares. Há quase 300 lá. Terreno de bastantes acres foi comprado por Mr. Durand que também fez a sua custa o edifício e o mantém quando chegam as contribuições das discípulas. Dizem que já gastou 2 milhões de dol. Foi advogado e também ganhou muito com manufaturas de objetos de goma elástica. Deram-me fotografias do colégio. Há também linda livraria de 10.000

volumes com retratos e bustos curiosos acompanhados de autógrafos das pessoas dos retratos como Longfellow, Agassiz, Whittier 010 que visitaram o colégio.

Fechada a porta de ferro fica a livraria preservada de incêndio. Atravessando o lago que é pequeno em escaleres tripulados pelas raparigas do colégio e que remam e governam muito bem – o meu escaler chamava-se Evangeline em honra de Longfellow e uma das remeiras tirou do peito para dar-me uma fita azul escuro com o nome do escaler em letras douradas – chegamos à propriedade fronteira de Mr. Anwell, primo de Mrs. Durant. É um dos mais belos jardins que tenho visto. Rododentros e azaléas admiráveis e formando tufos; uma pelouse lindíssima, sabugueiros, chorões, etc. O dono é que plantou tudo isso há 25 anos. Tem uma casa muito bonita que olha para o lago e o Colégio. Aí se launchou [sic].

Na volta Agassiz disse-me ao chegar a Boston que havia um bom matadouro para o serviço, vindo o gado de Oeste pela estrada de ferro que vai a Chicago.

Esqueci-me de dizer creio eu que na sala de ginástica de Harvard College há um aparelho que faz dar ao corpo movimentos de quem rema e serve para o inverno quando as águas estão geladas.

Poucos minutos depois das 3, veio despedir-se Mme. Agassiz. Disse-me que o poeta Whittier chegava hoje e me avisariam da casa onde ficaria aqui, mas não recebi o aviso até agora. Agassiz filho ficou de escrever a Mr. Tumbull muito conhecedor das línguas dos índios para se encontrar comigo em Newhaven. À tarde vi um quadro do pintor David Neal, de Munich, que anunciaram como grande cousa, Maria Stuart e Rizzo. Não é feio, mas superabunda a cor branca.

Depois atravessei em ferry-boat o Charles River para East-Boston e fui ver um grande Elevator que pode esvaziar 100.000 bushels por dia num navio, podendo conter 1 milhão. Vi botar milho. Quando ele caía no vagão no lugar de onde é elevado parecia uma cachoeira. O elevador tem 120 pés de altura. Que bela vista do porto de Boston se goza de cima!

À noite, fui ao teatro Boston-Museum. Ficamos todos de platéia. Representaram uma peça cujo assunto é a traição de Arnold.

Bonita vista de Washington atravessando o Delaware sob uma chuva de neve e no fim uma apoteose de heróis, que pouco valeu pelo lado do gosto artístico.

Hoje tenho muito que fazer e saio às 9 da noite de Boston.

Boston. 14 — Experiência dos Sinais de Robinson, estrada de ferro Lowell. City Hall sinais para incêndios.

Esqueci-me de dizer que no caminho para Harvard College vi o Elm debaixo do qual estava Washington quando tomou conta do comando do exército.

Vi ontem uma boa estátua de Franklin, com baixo relevo de sua vida defronte do City Hall, feita por Greenhough em 1855.

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