21.06.1876

Antes do almoço fui ao Colégio Girard – o corpo principal é um belo templo grego de colunas de mármore assim como o resto do edifício. Aí logo depois de subir os degraus externos encontra-se no peristilo uma bela estátua de mármore de Girard – fisionomia de bondade algum tanto maliciosa – um sepulcro creio que com seus restos. No edifício estão as aulas e gabinetes, assim como uma sala com os objetos pertencentes a Girard entre os quais vi o retrato da mulher que morreu doida, e que ele esposou por se admirar da perfeição com que ela limpava as vidraças de uma casa como criada. O colégio começou a fazer-se por deixa de Girard dois anos depois de sua morte. Começou a servir em 1848 se bem me lembro, e tem de renda anual de 600.000 dol.! É destinado somente aos estudos preparatórios para as carreiras industriais e os meninos aí só entram com a idade de 6 anos. Há 550. Não se admite nenhum ministro de religião, segundo exigência do testamento de Girard; mas o diretor que é Mr. Altenagora, fá-los rezar e ensina-lhes moral. Entre no colégio meninos de todas as religiões, e contudo ensina-se aos judeus a venerar Jesus Cristo! Não compreendo o que quis Girard. Em boas casas próximas estão salas com 21 camas cada uma e os refeitórios, mais baixos que o solo em frente, e úmidos como confessaram acrescentando que estão cuidando de construir um bom para todos os meninos juntos. Tem 4 professores homens para o ensino mais elevado e 14 a 18 senhoras professoras. Deram-lhe publicações relativas ao colégio. Assisti à oração antes de entrarem às 8h para as aulas. O diretor leu na Bíblia, e depois todos os meninos conservaram as cabeças baixas apoiadas nas mãos por alguns instantes.

Das 10 às 2 acabei com o Archer o exame da exposição inglesa. Às 5 ½ fui ao jardim zoológico; o mais completo da América. Tem animais muito curiosos até da Austrália; rinoceronte; 2 elefantes, 4 girafas; ursos em cavas; antas, etc. Tudo muito bem arranjado em uma parte bem ajardinada do Fair Mount Park. Hei de voltar.

À noite fui à Academia de Música, belo teatro internamente de 4 ordens de camarotes. Ouvi a Kellog no brindisi da Traviata; excelente cantora – assim tivesse a voz mais volumosa; a Cary bom contralto na Pieta do Profeta; Brignoli tenor que já teve excelente voz e ainda agrada bastante por seu estilo; e a Esmeralda Cervantes que tocou as variações de Moisés por Thalberg. Retirei-me no fim da 1ª parte para ir à reunião do Carvalho Borges no Club Union-bague. Tudo muito bem arranjado, e a música de Niteroy tocou bem. Foram convidados só o pessoal das comissões e júris da Exposição. Enfim vi Mrs. Levasseur e Simonin, cuja fisionomia um pouco turca não me agradou. Além disto a língua parecia pegar-lhe um pouco. Também falei ao coronel Périer. Como tinha muito que escrever safei-me da barafunda antes das 11.

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