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26.06.1876

 

   Antes do almoço fui ver as exposições – da instrução do estado da Pensilvânia, e de Kansas e Colorado – em edifícios separados.

   Às 9 ½ Fui até Bethleem à Lehigh University onde há estudantes brasileiros. O caminho é bonito e o terreno todo bem cultivado. Acompanharam-me o Child e o que chamam Judge Pacquard ricaço do lugar e a quem se deve essa Universidade. O que mais me agradou lá foi o laboratório de química dividido para análise qualificativa, e para quantitativa, como todos os arranjos precisos. O professor Chandler pareceu-me muito hábil, e deu-me diversos objetos como a notícia de uma análise por ele feita dos líquidos de uma envenenada por arsênico chamada Amanda etc. e um pedaço de vidro Labastie que deixei cair de bastante altura e mesmo atirei com alguma força e não se quebrou. Também me deram do gabinete mineralógico um pedaço de antracite com impressões de fóssil. Chandler mimoseou-me igualmente com o último número de sua revista de química. O gabinete de física é bastante incompleto em relação a outros que tenho visto e o observatório é apenas para engenheiros e não propriamente de astronomia. Guiaram-me nesta visita o Presidente da Universidade Levitt e o estudante brasileiro Queirós Teles neto do barão de Jundiaí. Aí se graduou este ano o estudante Malcher do Pará. Vi também o estudante Jordão filho de Severo Jordão, e o estudante Albuquerque.

   Depois fui às fábricas — de óxido de zinco, e chapas deste metal — de aço pelo processo Bessemer – e de extrair ferro do minério em grandes fornalhas cuja ventilação é produzir por duas grandes máquinas de vapor – uma sobretudo de mil e tantos cavalos. A última pertence a Mr. Thomas pai de Gertrude Thomas; uma das 16 raparigas dos Estados Unidos que encontrei chegando eu ao alto da Grande pirâmide do Egito. Mostrou-me o bilhete de visita que aí assinei para ela com o Bom Retiro. Dei-lhe agora o meu nome e data assim como ela num bilhete de visita. As fábricas são todas em ponto grande, e interessantes; mas o desejo que Pacquard e Child tinham de mostrá-las fez que eu não fosse a Lafayette College pouco distante de Bethleem, em Easton, onde há brasileiros e faziam-se exames graduando-se hoje um deles.

   Na volta passei por um bairro da cidade que não conhecia habitado por gente mais remediada e onde enxameiam as crianças. De muito estive na Academy of Music onde se distribuíam prêmios ao colégio Lasalle dirigido por padres e os estudantes fizeram discursos e recitaram versos. Um padre gordo de Montreal e que fala bem francês, e que queria por força tomar-me o chapéu e desfez-se em amabilidades fez uma falazinha em francês revirando os olhos, e tudo nele revelava o jesuíta.

   Às 9 sai e fui à reunião na Academia das Belas Artes que esteve brilhante e onde achei pessoas conhecidas, e outras fiquei conhecendo.

 

26.06.1876 Página