27.06.1876

 

   Fábrica de Baldwin. Faz 400 e tantas locomotivas por ano e agora 12 para o Brasil. Uma tem o nome  de Príncipe do Grão Pará para a estrada de ferro Pedro 2º: 2000 trabalhadores. Vi também um carro com rodas forradas de borracha para andar por vapor nas ruas da cidade. Ainda não está pronto.

   Indo para o Trans-Continental passei pelo panorama do Siege de Paris. O expectador sobe por uma estrada que representa as alturas de Chatillon. Está rodeado de cestões; de bonecos representando caçadores deitados atirando e mais longe desenrola-se a vista de Paris no fundo; estando pintado no 1º plano o ataque dos franceses, e a um lado a casa onde se vêem o Imperador da Alemanha e Moltke ao pé dele lendo um papel. Está bem feito. Ao entrar da casa há outro figurando a morte do arcebispo Darboy durante a comuna; porém não chega ao outro; no corredor antes de subir a Chatillon vêem-se fotografias referentes ao cerco de Paris.

   Desde as 10 até as 2 vi as exposições de Alemanha e da Áustria. Antes de jantar trovoada forte; também houve calor de 84º Fahr. às 5 da manhã à janela e de 89º ontem de noite no corredor deste hotel. Depois das 5 Machinery-Hall exposições: americana, alemã e austríaca.

   Às 8 sessão da Academia das Ciências Naturais; onde ouvi a exposição sobre os rizópodes; pelo Dr. Leidy; outra sobre os mastodontes, pelo professor Cope, e a 3ª pelo professor Frazer a respeito de amostras de minerais que lhe deu o Coutinho e ele mostrou pelo polariscópio projetando as imagens sobre um pano branco assim como as de minerais dos Estados Unidos que as formações de certos terrenos desses países eram iguais. Esta parte foi muito interessante. Finalmente fui ao teatro Alhambra – muito bonito e com jardim ao lado – encontrar minha mulher. Aí vi o resto de Trip of the Moon. Os cenários não foram maus; porém a dançarina principal era meio gorducha e parecia-se na expressão do rosto sobretudo com a baronesa de Maracaju.

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