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05.07.1876

 

    Às 6 ¾ fui para a exposição. Antes do almoço vi o anexo dos couros. Bonito edifício onde há que aproveitar no sentido de aperfeiçoarem indústria nossa. Tudo aí que se acha em relação a ela. O anexo das Obras Públicas de França. Pequeno mas feito com gosto. Disseram-me que se armaram aqui as peças vindas de França. Interessante coleção de mapas e modelos das obras mais notáveis feitas em França sobretudo nestes últimos anos. Perto dele na casa onde vi os vidros pintados de Lomain também há 2 retratos de Isabel e do Gastão pintados em vidros na mesma oficina. O da Isabel não está parecido e tem olhos pardos. São bons, como vidros pintados. Presente da Lumain a meus filhos.

    Agricultural Hall com quase todos os comissários brasileiros.

    Das 10 até 11 ¾ Machinery-Hall – Bélgica instrumentos para furar minas, picaretas que se armam e desarmam facilmente e de excelente aço da casa Hardy, recomendada pelo Briggs de Good-Hope e outros objetos. O comissário da Rússia Bielski mostrou-me lindíssimas obras de galvanoplastia feitas na Rússia. Igualam quase em méritos artísticos às da casa Elkington.

    Exposição do governo para ver um descaroçador de algodão. Agricultural Hall que está agora muito bonita internamente para ver o órgão que toca por  eletricidade – o fole é contudo movido a mão – das músicas que se notam numa tira de cartão furando-o, sistema do telégrafo automático.

    Às 8 tinha-me fotografado no anexo de fotografias. Antes de entrar em casa fotografei-me junto ao hotel. Assistiram à minha partida além dos comissários brasileiros o Archer que se tem sempre mostrado muito amigo meu; o Bielski, o Fabro – com parte dos comissários espanhóis – também se mostraram ambos muito meus afeiçoados. O Ach secretário da comissão diretora da exposição, desculpando o Gaschorn de não comparecer, por indisposto.

    O calor muito me incomodou Estes últimos dias, e compreendo que as comissões estejam morrendo para deixar a Filadélfia durante esta maior calma. Minhas notas sobre a exposição ainda me hão de dar muito trabalho e todavia nunca me satisfarão por isso que só posso dizer meu juízo quase unicamente sobre o que vi, muitas vezes apenas através de uma vidraça.

     Estive na exposição desde às 7 até 11h 40’ com o intervalo do almoço no Trans-Continental e às 8 fotógrafo no anexo.

     12h 20’ Fotógrafo perto do Continental. Partida para a estação à 1h ¼. O trem esperou de Washington e largou à 1h 40’.

    3h 21’. Passamos por Trenton e N. Brunswick; povoações importantes. O terreno é cultivado e vi máquinas agrícolas puxadas por cavalos. Já atravessei o Hudson em boa ponte de ferro. Tem feito um calor insuportável, como ontem que só houve de noite pequena trovoada com pouca chuva.

    3h ¾. Seguimos da estação da povoação de Newark depois de termos passados por Elisabeth São consideráveis.

    3h 50’. Atravessamos uma bela ponte de ferro. Bonita planície e atravessamos outra grande ponte de ferro e madeira.

    4h Passamos um longo e estreito corte, e entramos em grande população (Jersey). O Hotel está muito bem arranjado; mas Windsor parecia-me mais cômodo. Depois do jantar fui dar um passeio de carro pelo parque e depois assisti ao concerto Gilmore excelente como sempre tocando cornet-á-piston e Levy, exímio artista. Encontrei lá o Tomasen; Frank Leslie e a mulher meus conhecidos da casa do Child e do lago de Saratoga, e enfim Alvim que chegou hoje na Rússia. É preciso para começar amanhã a lida que não será pequena.

 

05.07.1876 Original