Palavra da Direção

O Museu Imperial e as futuras gerações

O Museu Imperial, unidade museológica do Instituto Brasileiro de Museus -  autarquia recentemente criada no âmbito do Ministério da Cultura para aperfeiçoar as políticas públicas do campo museal em nosso país completará, no próximo ano, 70 anos de dedicação ao Brasil.  No mesmo período, instituições, autoridades e público formado por visitantes,  frequentadores, parceiros, clientes, doadores, amigos, usuários e pesquisadores têm manifestado confiança no desempenho do corpo funcional desta Casa com elogios, doações, campanhas de apoio, sorrisos e, na maioria das vezes, um sincero muito obrigado!

Nossa atuação como servidores públicos federais tem como objetivo preservar os bens históricos, artísticos e paisagísticos sob a nossa guarda para as futuras gerações; aperfeiçoar as estratégias de divulgação/comunicação desses mesmos bens para o público do presente; oferecer serviços de qualidade para um diversificado conjunto de pessoas; e estudar o patrimônio preservado no antigo Palácio Imperial de Petrópolis para subsidiar as ações acima indicadas.

Recentemente, contratamos uma empresa especializada em restauração de patrimônio edificado para efetuar um estudo técnico de avaliação do estado de conservação do pórtico de pedra do palácio (entrada do prédio principal). O diagnóstico não só indicou a necessidade de intervenção de restauro para impedir a evolução de um processo de degradação do material analisado, como também identificou outro problema muito grave. A opção feita há décadas de revestir a superfície do prédio com técnicas não existentes à época da sua construção tem provocado degradação física ao prédio. Como sabemos, a cobertura original da fachada do palácio tinha como base a técnica desenvolvida durante a Renascença chamada escraiole – que conjuga gesso, areia e pigmento para a produção de uma massa que aplicada à superfície rígida passa a simular a textura do mármore. Interessante notar que em Portugal a técnica é ainda hoje conhecida como “mármore dos tolos”.  Uma vez constatado o problema, iniciamos um estudo de viabilidade técnica e financeira para a substituição da cobertura atual em um esforço de salvaguardar o bem para os brasileiros do futuro. Mas faltava ainda atender à demanda da comunicação do bem pesquisado para o público do presente. Assim, estamos desenvolvendo um projeto para apresentar ao nosso público, do hoje e do amanhã, a cor escolhida por d. Pedro II para a sua residência favorita, no intuito de resgatar a história da edificação e do cotidiano da família imperial em Petrópolis.  Cabe ressaltar que o projeto encontra-se em fase de elaboração, estando sua execução condicionada ao estudo de viabilidade técnica e financeira e à aprovação dos órgãos competentes.

Como agentes do Estado brasileiro, oferecemos a certeza de estarmos trabalhando em benefício do interesse público e, portanto, acima dos interesses e predileções de ordem pessoal. E se alguma preferência cromática deve ser respeitada, que seja a do eterno proprietário desta Casa, o imperador d. Pedro II.

Pela oportunidade, agradecemos a todos com um felicíssimo muito obrigado!

Maurício Vicente Ferreira Júnior

Servidor Público Federal e Diretor do Museu Imperial

29 de novembro de 2009 

Museu Imperial 2009

Rua da Imperatriz, 220 - Centro - Petrópolis - RJ

Tel: (24) 2245-5550 / 2245-5560