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Restauração da berlinda de aparato de d. Pedro II

 

pagina-berlinda-pngEm dezembro de 2012, o Museu Imperial concluiu o restauro da berlinda de aparato de d. Pedro II. O projeto contou com o patrocínio da empresa petropolitana GE Celma a partir da Lei de Incentivo à Cultura, o apoio da Sociedade de Amigos do Museu Imperial (SAMI) e a coordenação de Eliane Zanatta, responsável pelo Laboratório de Conservação e Restauração do Museu Imperial.

Toda a intervenção foi realizada às vistas do público na Galeria de Restauro, sala anexa ao Pavilhão das Viaturas criada para permitir que os interessados pudessem acompanhar o trabalho dos técnicos.

O projeto teve início em 2010, com a captação de recursos e, em julho de 2011, começou a ser colocado em prática. Nesse período, foi iniciada a preparação do espaço e a capacitação de pessoas da comunidade para trabalharem no restauro. Já a intervenção propriamente dita começou em novembro de 2011, levando um ano para ser concluída.

Além de pessoas da comunidade selecionadas e treinadas pela equipe do Laboratório de Conservação e Restauração do Museu, trabalharam no projeto artesãos locais, químicos, biólogos, conservadores, engenheiros, historiadores, restauradores e outros especialistas, através de parcerias com universidades e outras instituições de pesquisa.

Com a finalização dos trabalhos, no dia 15 de dezembro de 2012, foi realizada a “Cerimônia de apresentação da Berlinda de Aparato de d. Pedro II restaurada”, na Sala da Batalha de Campo Grande, em que estiveram presentes toda a equipe, funcionários do Museu Imperial, pessoas da comunidade e diversas autoridades.

 
 
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Atualmente, a berlinda de aparato do imperador d. Pedro II encontra-se embalada aguardando as obras de manutenção do telhado e a adaptação do novo espaço museográfico, bem como a elaboração do segundo Caderno Técnico do Museu Imperial, com todas as etapas do “Plano de Gerenciamento: conservação e restauração da Berlinda de Aparato do imperador d. Pedro II”.


A berlinda:

A berlinda de aparato foi construída pela firma britânica Pearce & Countz, fornecedora da Casa Real Inglesa, especialmente para a cerimônia de sagração e coroação de d. Pedro II, ocorrida no dia 18 de julho de 1841. Era utilizada pelo imperador em ocasiões solenes, como os casamentos de suas duas filhas, a abertura e o fechamento da Assembleia Geral.

A carruagem foi confeccionada em madeira e ferro e tem em seus elementos decorativos prata, madeira entalhada com folha de ouro e pintura que remete a cana-de-açúcar, couro, janelas em cristal, bordados e galões em fios dourados, estofamentos e revestimentos em veludo de algodão, etc. Puxada a oito cavalos, era conhecida pela população como “Monte de prata”, devido ao material predominante, ou “Carro cor de cana”, em razão de sua coloração.

 

Veja o “antes e depois” da berlinda:

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Conheça o relatório de atividades do projeto:

- Introdução

- Características físicas e materiais

- Procedimentos de desmonte

- Higienização mecânica e química

- Reintegração

- Descolamentos, escoriações e desgastes

- Remoção de repinturas sobre pinturas originais perdidas

- Franjas

- Reconstituições possíveis e reinserções

- Testes físicos/químicos/microbiológicos


Clique aqui para conhecer a equipe
 

Textos: Eliane Marchesini Zanatta, responsável pelo Laboratório de Conservação e Restauração do Museu Imperial.

Plano de gerenciamento: conservação e restauração da berlinda de aparato de d. Pedro II

 
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INTRODUÇÃO
 
O Museu Imperial inaugurou a Galeria de Restauro – espaço no qual o público poderá acompanhar projetos de conservação e restauração do Museu, como o da Berlinda de Aparato de d. Pedro II. O projeto, incluindo a adaptação da galeria, tem o patrocínio da empresa petropolitana GE Celma, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
A berlinda foi construída em 1837, pela firma britânica Pearce & Countz, fornecedora da Casa Real Inglesa, especialmente para a cerimônia de sagração e coroação de d. Pedro II.
Era utilizada pelo imperador em ocasiões solenes, como os casamentos de suas filhas e a abertura e o fechamento da Assembleia Geral.  À época, era conhecida pela população como “Monte de Prata” ou “Carro Cor de Cana”.
A peça, que era puxada por oito cavalos, tem como elementos prata, madeira, ferro, tecido e galões bordados em fios dourados. Sua pintura remete à cana-de-açúcar e possui janelas em cristal, estofamentos e revestimentos em veludo de algodão.
A restauração está sendo realizada diretamente pela equipe do Laboratório de Conservação e Restauração do Museu Imperial que vem capacitando pessoas da comunidade petropolitana para auxiliar no processo.
 
O PROJETO
 
O objetivo geral do projeto é preservar a Berlinda de Aparato de d. Pedro II como bem cultural representativo e evocativo da memória e do patrimônio nacional.
A execução do projeto de restauro da berlinda teve início em julho de 2011, com a definição de estratégias para seleção de pessoal, treinamento e elaboração da documentação técnica que irá compor os dossiês.

 

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Treinamento da equipe

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Preparação do espaço

Devido à variedade de elementos que a constitui, o processo é bastante complexo, envolvendo ações específicas.

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Detalhes da berlinda, que apresenta diferentes materiais


Metodologia e critérios éticos

A berlinda de aparato de d. Pedro II é um objeto museológico com implicações históricas de grande relevância por ser representativa de um momento histórico (o Segundo Reinado) de um sistema de governo (a monarquia) e, enfim, de uma importante personalidade histórica (d. Pedro II). Sua representatividade é potencializada pelo fato de ser revestida de uma carga simbólica muito marcante – verdadeira “insígnia” nacional e imperial – tendo servido ao longo de todo o governo desse imperador e estando “presente” nas ocasiões mais solenes de nossa história. Assim, acaba por associar-se emblematicamente ao próprio Estado Monárquico brasileiro.

No entanto, a despeito de seu caráter histórico e simbólico transcendental, não se pode descartar o fato de ter sido um objeto utilitário, ou seja, tinha uma função prática que repercutiu em alguns desgastes e deteriorações diretamente ligadas ao uso. 

Essas características são essenciais para determinar uma metodologia de intervenção fundamentada em conceitos éticos internacionalmente aceitos, tendo como base a Carta do Restauro de 1972 e a Teoria del Restauro, de Cesare Brandi, importante teórico da ciência da restauração. Sendo assim, o principal critério que deverá nortear todas as intervenções é o da instância histórica, procurando-se respeitar ao máximo a integridade e a legibilidade do objeto, bem como as marcas do uso. Os danos mais acentuados deverão ser sanados, buscando-se sempre resgatar a leitura visual sem, no entanto, incorrer em possíveis interpretações fantasiosas.

 

< Início            Características físicas e materiais >

 

Plano de gerenciamento: conservação e restauração da berlinda de aparato de d. Pedro II

 
Higienização mecânica
 
Os tratamentos de higienização são pautados por critérios diferenciados de acordo com as particularidades técnicas, materiais e visuais das áreas tratadas, tendo em vista a busca de sua leitura com a preocupação de resguardar, sempre que possível, as marcas do tempo.
Atualmente, é realizada a higienização de cada elemento têxtil, dos bordados em fios metálicos e da estrutura em madeira que compõe a berlinda de aparato de d. Pedro II.

 

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Algumas dificuldades foram percebidas durante o desmonte dos têxteis devido às técnicas de manufatura da berlinda.

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Higienização química

A policromia cor de cana dos elementos em madeira das rodas, suspensão, alçados e timão apresenta uma crosta acentuada de poeira e sujidades que estão, inclusive, comprometendo visualmente seu aspecto, uma vez que os filetes ficam praticamente encobertos. A limpeza tem o objetivo de resgatar sua aparência visual, deixando à mostra os filetes, importantes para a questão da legibilidade.

Os ornatos dourados em madeira e metal estão sendo limpos com a finalidade de remover as sujidades e retirar as concentrações degradadas de verniz, uma vez que comprometem visualmente o aspecto dourado que também é importante no contexto da peça. O verniz não é original, tendo sido aplicado em uma intervenção realizada em 1975. No entanto, a limpeza está sendo controlada mantendo-se, nas reentrâncias, vestígios de pátina de modo a evidenciar o ouro sem dar o aspecto de novo.

A limpeza dos ferros dourados busca desoxidação e impermeabilização, realizadas pontualmente, uma vez que há várias partes oxidadas e com perda de douramento.

O verniz aplicado sobre as armas imperiais pintada nos flancos da caixa, intervenção datada de 1975, está sendo removido porque se encontra degradado e alterou cromaticamente os elementos representados, sobretudo os mantos verdes, que se tornaram muito escuros, quase pretos. A equipe utiliza solventes de baixa toxidade e não decapantes.

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Plano de gerenciamento: conservação e restauração da berlinda de aparato de d. Pedro II

 
Procedimentos de desmonte
 
Desmontagem dos têxteis: revestimentos e escadas de armar, soleiras e forro do tejadilho. Foi realizada a numeração minuciosa de todas as peças, elaboração de desenhos elucidativos e registros fotográficos, além do acondicionamento provisório na Galeria de Restauro e a análise minuciosa de fragmentos para encaminhamento a testes laboratoriais. No procedimento de desmonte foram encontrados altos índices de resíduos químicos.

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< Características físicas e materiais     Higienização mecânica e química >