Palavra da Direção

Boa tarde a todos!

Em primeiro lugar, eu gostaria de apresentar uma saudação especial às autoridades civis, militares e eclesiásticas; aos membros das legações estrangeiras; professores, estudantes; amigos do Museu Imperial, colegas de trabalho; cidadãs e cidadãos que deixaram seus afazeres e compromissos para prestigiar esta celebração. Em meu nome e em nome dos colegas da equipe do Museu Imperial agradeço, de coração, a presença de todos. À equipe do Museu Imperial eu também agradeço; não só pelo desempenho na organização desta cerimônia e no esforço para a conclusão, em tempo recorde, dos produtos que apresentaremos hoje, mas agradeço especialmente à dedicação de vidas e à profissão de fé pela causa desta instituição. Assim, muito obrigado aos colegas do presente e do passado!

E todos os que hoje comparecem a esta celebração, fazem-no porque acreditam na importância do Museu Imperial no cenário nacional. É por isso que aqui estão. Desde a sua criação, o Museu Imperial tem como funções básicas a preservação, a pesquisa e a comunicação de peças relativas ao período imperial brasileiro e à formação histórica de Petrópolis. E as equipes do Museu têm sido fiéis ao compromisso, desenvolvendo suas atividades em consonância com essas duas dimensões: a nacional e a local. A nacional é a mais evidente, uma vez que o Museu preserva objetos-símbolo da monarquia e da fundação do Estado Nacional brasileiro que, como sabemos, foi criado sob a égide do regime monárquico. E a memória produzida sobre o eterno idealizador e proprietário desta casa muito contribui para que entendamos o Museu como um polo irradiador de princípios éticos e morais válidos para a nossa nação. Mas o palácio deu origem a uma cidade; Petrópolis nasceu como destino da vilegiatura do imperador, de sua corte e dos grupos médios urbanos beneficiados pelo advento das vias de penetração que transformaram a região em um ponto de conexão entre o centro (representado pela capital do Império) e o interior do país. São modelos de ocupação que produziram objetos, formas e práticas específicas que passaram a integrar o cotidiano de gerações de brasileiros e cuja preponderância superou até mesmo uma mudança de regime político. E esse caráter regional (e mesmo local) também está representado no acervo da instituição, fazendo dela um museu de pluralidades temáticas.

E tem sido assim desde o ano de 1940. Não oferecemos aos senhores um balanço dos setenta anos do Museu Imperial, contudo, algumas passagens precisam ser lembradas para que permaneçam como fio condutor capaz de orientar a trajetória dos mais jovens, especialmente num contexto de realização do primeiro concurso para preenchimento de vagas no âmbito do Instituto Brasileiro de Museus, sob a liderança de seu presidente, o Sr. José do Nascimento Jr. aqui representando o Excelentíssimo Sr. Ministro de Estado da Cultura, Juca Ferreira.

O Museu Imperial registra em sua trajetória incrível número de atendimentos e serviços prestados a grupos de estudantes durante as visitas monitoradas ou nos projetos educativos de média e longa duração; espetacular visitação, com média de 300 mil pessoas ao ano, que se deslocam para a cidade de Petrópolis a fim de conhecer o Museu e seus acervos histórico, artístico e paisagístico; cursos e seminários com conteúdo programático para a reciclagem de profissionais de áreas afins e temas de interesse para formação de estudantes de diversos segmentos; doações, com destaque para a Coleção Carlos Gomes, doada pela filha do compositor, Ítala Gomes Vaz de Carvalho em 1946, o Arquivo da Casa Imperial, doado pelo príncipe d. Pedro de Orleans e Bragança em 1948, o legado Cláudio de Sousa, entregue ao Museu Imperial pela viúva do ex-presidente da Academia Brasileira de Letras em 1956, a Coleção Maria Cecília e Paulo Fontainha Geyer, doada pelo casal em 1999; as conferências, como a ministrada pelo acadêmico francês André Maurois em 1950 e a do Secretário de Cultura Aloísio Magalhães sobre o decreto presidencial, concedendo a Petrópolis o título de “Cidade Imperial” em 1981; eventos, como as comemorações do Sesquicentenário da Independência em 1972; projetos culturais, como o espetáculo Som e Luz que se notabilizou como um instrumento de estímulo à economia local, especialmente os setores de serviços e o segmento do turismo; os catálogos de exposições, as publicações seriadas, os guias e instrumentos de pesquisa que consolidaram o Museu Imperial como uma marca editorial respeitável; o oferecimento do jardim do Museu como um espaço para atividades educativas e de recreação por parte de diversos segmentos da sociedade petropolitana; e a ação da Sociedade de Amigos do Museu Imperial, criada para auxiliar o Museu no desempenho de suas funções institucionais.

Essas experiências positivas provam que somos herdeiros de uma tradição vencedora. Mas é preciso avançar construindo o futuro em atendimento às novas demandas impostas pela sociedade contemporânea. E na condição de Casa de Memória e História, devemos operar uma reflexão sobre os 70 anos deste Museu. Ele nasce quando o primeiro governo Getúlio Vargas intensifica uma política cultural de formação do caráter identitário e sensível à importância dos acervos museológicos. Colegas pesquisadoras, como Alda Heizer e Miriam Sepúlveda já evidenciaram a chamada política pedagógica do Estado Novo, preocupada em formar acervos nacionais a partir de períodos históricos concentrados em unidades museológicas específicas, como o Museu das Missões, no Rio Grande do Sul; o Museu do Ouro, em Minas Gerais e o Museu Imperial, no Rio de Janeiro. E podemos afirmar que foi a primeira política de Estado para os museus nacionais neste país.  Passados 70 anos, vivemos um momento igualmente paradigmático para os museus nacionais. Com o advento do Instituto Brasileiro de Museus, os museus federais, antes subordinados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, encontram condições para dar continuidade as suas históricas missões institucionais, como também para ampliar suas atribuições em benefício dos diferentes segmentos da sociedade brasileira. Neste sentido, temos procurado transformar o Museu Imperial em um espaço cada vez mais inclusivo, com dias de visitação gratuita para os moradores de Petrópolis; com a musealização de áreas do complexo até então consideradas caminhos de acesso, como os jardins do imperador, devidamente incorporados aos projetos de educação ambiental oferecidos regularmente aos estudantes de escolas públicas e privadas; com a ampliação dos serviços de atividade educativa, entretenimento e prevenção contra males causados por sedentarismo e obesidade; com a oferta regular de concertos de música erudita em parceria com a Universidade Católica de Petrópolis; com as apresentações dos grupos folclóricos germânicos em parceria com a Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis; com a apresentação da Banda Marcial Wolney Aguiar; com a oferta periódica de cursos para professores da rede pública de ensino e profissionais de turismo.

Com o intuito de formar parcerias, temos procurado estabelecer ações com instituições congêneres. Na última comemoração do aniversário de d. Pedro II, recebemos uma comitiva do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que, pela primeira vez, organizou uma seção da Comissão de Estudos e Pesquisas Históricas fora das dependências do prestimoso Instituto.  E na semana passada, durante a sessão de abertura dos trabalhos de 2010, o Ilustríssimo Sr. Presidente do IHGB, professor Arno Wehling, confirmou a realização de mais uma sessão, por ocasião do aniversário do imperador, no Museu Imperial.  Da mesma forma, abrigamos no dia 20 de novembro de 2009, uma sessão especial do IX Congresso Iberoamericano de História da Educação, quando pesquisadores de vários países puderam debater temas relativos aos museus e à educação.

Temos procurado ampliar a prática educativa do Museu Imperial com o aperfeiçoamento dos projetos já consagrados por alunos e professores, e também introduzindo novas ações para contemplar novos olhares e fazeres. Como reconhecimento, o Museu Imperial foi selecionado para abrigar o I Encontro dos Educadores dos Museus do IBRAM – entre os dias 29 de abril e 1º de maio – quando então lançaremos o Almanaque de Petrópolis – volume II, dedicado ao Palácio Imperial de Petrópolis, publicação voltada para o público de estudantes, mas que certamente fascinará jovens e adultos.  E apostando no encantamento que, às vezes, nós adultos deixamos escapar, resolvemos profissionalizar o projeto Um Sarau Imperial para oferecê-lo aos nossos visitantes como espetáculo permanente. O resultado foi a conquista da chancela do Ministério do Turismo e do Instituto Marca Brasil como integrante do programa nacional Tour da Experiência.

Senhoras e senhores: Nossas ações visam, sobretudo, a preparar o Museu Imperial para os desafios do presente e do futuro. E sensíveis à necessidade de disseminação das informações, dos acervos e das práticas profissionais desenvolvidas ao longo das décadas, o Museu Imperial publica, pela primeira vez, um caderno técnico de conservação dedicado à categoria chapéus. O projeto coordenado pela técnica Eliane Zanatta não apenas divulga o conhecimento produzido no Laboratório de Conservação e Restauração, como também procura dialogar com técnicos de instituições congêneres, visando ao estabelecimento de novas tecnologias de trabalho.

E para finalizar, gostaríamos de anunciar a disponibilização do acervo do Museu Imperial como parte do esforço representado pelo projeto DAMI – Digitalização do Acervo do Museu Imperial, patrocinado pela IBM Brasil. O projeto prevê a disponibilização, via portal do Museu na internet, de todo o acervo da instituição; ou seja, 250 mil documentos, 55 mil livros e folhetos e mais de 7 mil objetos de arte e história em um período de dez anos. Os primeiros conjuntos de peças constituem coleções doadas ao Museu em diferentes momentos da história da instituição.  Com o projeto DAMI, o Museu Imperial consolida a sua posição como um museu do século XXI, na medida em que aprimora a preservação de seu acervo, cria novos instrumentos de gestão de suas coleções e oferece a totalidade das informações que produz, sobre os bens históricos e artísticos, para a população em um ambiente favorável à participação de todos os cidadãos.

Nós, do Museu Imperial, costumamos repetir a seguinte frase:

NOSSO MUSEU, NOSSA HISTÓRIA.

Muito obrigado!

Maurício Vicente Ferreira Júnior

29 de março de 2010

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